quinta-feira, 20 de setembro de 2012

a few notes about being alone




Você inspira. E aí, no meio das lágrimas, das palavras e dos olhares, alguma coisa acontece e te atinge no meio do estômago. Alguma coisa boba, algum gesto, alguma frase sem importância. Não precisa ter importância. Mas aí você percebe que não depende mais de você e você se sente impotente porque existe uma coisa que está fora do seu controle e fora da sua escolha. Sua vontade não conta pra nada. É nessa hora que todo o ar é expulso do seu pulmão, o seu coração pula uma batida e você se sente a pessoa mais cansada do mundo. Você já não consegue se expressar, nada faz sentido, você não quer respirar, não quer deitar, não quer existir, mas você CONTINUA existindo e respirando e continua sem ar. Respirando sem ar.

Depois vem a calmaria. Que dura pouco. 

E daí você se lembra de tudo e leva mais uma pancada no estômago. A barriga dó, nervosismo. Se novo falta de ar. Dessa vez todo o seu corpo dói. E você sente dor em partes do corpo que nem sabia que existia. E você pode chorar e gritar e ter raiva e você quer voltar no tempo e mudar tudo. E você quer voltar naquele dia e vivê-lo de novo e de novo e de novo.  Mas não importa o quanto você grite, o quanto você chore, não importa o quanto você queira, nada disso vai acontecer. Você só tem uma coisa a fazer: tentar respirar.

Você tem raiva, você para de ter raiva no segundo seguinte. Você ri de alguma coisa, e, sem que você perceba, uma nova pancada, dessa vez no peito, te paralisa. Nenhuma ação, nenhuma palavra, nenhum sentimento. E você percebe que já que não pode voltar no tempo e ser feliz que pelo menos você continue sem sentir nada.  Mas o nada começa a te sufocar e volta a ser raiva, tristeza. Rejeição. Aí você entende que fracassou. Que não foi capaz de segurar sua felicidade, e que ela te escapou entre os dedos e quanto mais você apertou, mais rápido ela foi embora. Mas que ao mesmo tempo, você não podia abrir a mão. Você fez o que pode. E o que você fez não foi o suficiente.

Você começa a se enganar, dizendo que começou a aceitar. Seu celular pisca, você veste a sua camisola, você faz alguma coisa simples e cotidiana como ligar o abajur. E é tudo ele, ele, ele eleeleeleelelelelelelelelele. ELE. Sem parar, sem dar descanso, sem te deixar respirar. Você expira. 

Você inspira...

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